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01/12/2012 às 00:00

Em destaque neste mês o radialista e narrador esportivo Roberto Cardozo Azevedo

Profissional conhecido no meio radiofônico a mais de meio século
Em destaque neste mês o radialista e narrador esportivo Roberto Cardozo Azevedo
Foto:Radialista Roberto Azevedo

Sua longa carreira no rádio rende-lhe uma homenagem no mês de agosto de 2012 em Chapecó, prestada aos profissionais com 50 anos de atividade na área da comunicação e que estão na ativa, concedido pela Associação Catarinense de Imprensa. Na oportunidade Roberto recebeu também uma homenagem (foto) da Rádio Aliança AM de Concórdia, por onde teve rápida passagem.

Roberto, 71 anos, é gaúcho de Bagé, casado com Valquiria, pai de Roberto, Alexandre e Rodrigo. Terceiro filho do casal de comerciantes Aniceto e Aurora Azevedo que tiveram 08 filhos, sendo 04 homens e 04 mulheres, seu nome vem a memória dos amantes do esporte que o acompanharam nas transmissões esportivas por diversas emissoras de rádio do país.

Sua história no rádio teve início nos anos 50 e chega a se confundir com a história deste importante veículo de comunicação que surgiu no Brasil na década de 20, que assim como ele se adequou e sobreviveu às mudanças. Uma conversa com Azevedo é na verdade uma aula de comunicação e rende muito mais que uma página na web, pois o veterano comunicador que tem amigos pessoais como o governador do estado Raimundo Colombo, conta que começou sua carreira aos 13 anos de idade em sua cidade natal onde desde cedo demostrava paixão pelo esporte e muitas vezes deixava a escola em segundo plano. Ao perceber seu desinteresse pelos estudos foi levado pelo irmão Bento a Rádio Cultura de Bagé onde vários meninos tinham oportunidade de aprender o ofício com o diretor de esportes, à época Mário Codevilla. “Foi um aprendizado muito interessante, ele pegava uma notícia do Jornal Folha da Tarde, grifava e pedia para redigirmos com nossas palavras sem copiar e depois dava nota e até mesmo pequenos prêmios como canetas para incentivar”, lembra com saudades. 

Não demorou muito para Azevedo chegar aos microfones quando auxiliava nos plantões esportivos (foto), e depois na apresentação dos programas ao lado do diretor de esportes. Sua primeira narração curiosamente foi turfe (corrida de cavalos), com 16 anos onde já fazia parte da Associação Bageense dos Cronistas Esportivos. Após servir ao exército foi trabalhar na nova emissora da cidade, a Rádio Difusora onde ficou até 1962. Na época lembra Roberto, era usado o gravador de fio de aço, e varavam madrugadas no final do ano para preparar a retrospectiva com os arquivos. “Às vezes estávamos com o trabalho praticamente pronto e arrebentava aquele fio, tinha que começar tudo de novo, não tinha solução, virava um Bombril”, brinca.

Depois a convite do cunhado foi parar no Rio de Janeiro onde trabalhou na Rádio Mayrink Veiga. Lá sua estadia foi curta, pois havia constituído família e o ganho era pouco. Prestou concurso e passou para escriturário em um estaleiro. Deixou a cidade porque a esposa adoeceu e o clima não era favorável a sua saúde, quando retornou a Bagé por conselho da família. Foi a Porto Alegre onde atuou como supervisor na Refinações de Milho Brasil e narrava futebol na Rádio Farroupilha que mais tarde acabou com o esporte por estar passando por transição com a morte do proprietário Assis Chateaubriand. Foi então que voltou a Bagé e resolveu parar com rádio se dedicando aos negócios da família, um Armazém, uma espécie de atacado. Por interferência do amigo Edegar Schmidt (Rádio Guaíba – RS) foi parar em Criciúma na Rádio El Dorado, onde ficou até 1971 quando recebeu proposta da Rádio Gaúcha de Porto Alegre e foi trabalhar como narrador e apresentador de noticiários. Não demorou muito para que a El Dorado o procurasse novamente com uma proposta melhor, que o fez voltar a Criciúma ficando por curto período e retornando novamente a Bagé. O amigo Edegar ainda insistente o indicou para a Rádio Mirador em Rio do Sul. “Não queria mais, fiz uma proposta alta pra não ir, e acabaram me oferecendo um salário irrecusável, mais moradia”. Azevedo novamente pega a estrada e permanece por cerca de 8 anos na emissora. Por desentendimento migrou para a Difusora na mesma cidade.

A peregrinação continuou. Azevedo parte então para Lages trabalhar na Rádio Clube, sendo convidado na sequencia a integrar a Rádio União que entrava no ar em Blumenau. Passou por Indaial e foi para Descanso a convite do proprietário da Rádio Progresso. Não demorou para que recebesse nova proposta que vinha agora de Joaçaba através de Nelson Paulo (Rádio Catarinense) que havia assumido a emissora. Permaneceu na rádio de 1986 até 1992, quando foi a Rio do Sul, passando por Timbó, Rádio Menina em Balneário Camboriu, voltando a Joaçaba em 2005 onde se aposentou e saiu em 2007.
 

"O rádio é belíssimo, presta um serviço extraordinário, mas tem essas pessoas que só veem a frente deles cifrão, pensam no aspecto financeiro e não no técnico"



Agora um pingue-pongue para conhecermos um pouco mais deste profissional:

Caco da Rosa – Ao que se deve essa peregrinação pelas emissoras de rádio?
Roberto Azevedo - Sempre fui responsável e profissional, se tivesse que cobrir algo as 03:00 da manhã lá estava eu. E também por não ter o hábito de beber fui tido como um bom moço (brinca). Lamentavelmente havia muito gente inescrupulosa no rádio, trabalhei com vários. O cara chegava na cidade trabalhava um período, mobiliava casa, anoitecia e não amanhecia, ficava devendo. Isso era muito comum, então aquele que não ficava devendo, não aprontava, era indicado e procurado. Conheci profissional que era um espetáculo, com muita qualidade, mas aprontava, deixava de ir ao trabalho, chegava bêbado, ficavam devendo. Hoje o pessoal do rádio é mais responsável, habilitado, competente, com outros pensamentos.

CR – Naquela época o estereótipo do radialista era outro? 
RA - A exigência era ter uma voz adequada para o rádio, voz possante, grave e forte, não se colocava qualquer pessoa ao microfone. Muitos caras competentes abandonaram a ideia de trabalhar no rádio por não ter essa voz. Então pessoas com voz e sem muita qualidade estavam no mercado. Isso acontecia com cantores também, Ângela Maria, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Francisco Alves... vozes potentes. Até porque os microfones eram duros, os sistemas de gravações exigiam, ou você tinha um vozeirão e colocava pra fora ao cantar, ou você não era nada. Aí as coisas foram se aprimorando e os equipamentos melhorando. Com essa transição começaram a aparecer pessoas muito competentes. Hoje você liga a Guaíba ou a Gaúcha (RS) entra alguém com voz de garoto sem nenhuma impostação de voz, mas que lê e interpreta bem. Naquela época não falariam no microfone.

CR – Se não estivesse no rádio que atividade desenvolveria? 
RA – Talvez optasse por futebol, ou estaria de alguma forma ligado ao esporte, mas nunca me vi fazendo nada fora do rádio. As poucas passagens fora do meio nem coloco em meu currículo, foram passagens tão desprezíveis porque não eram pra mim, fiz por necessidades pontuais. 

CR - Algo que jamais vai esquecer nessa longa trajetória? 
RA – É uma coisa hilária, não chega a ser um fato interessante. Quando estava na Rádio Farroupilha apresentava o Grande Jornal Falado às 22:00hs, muito ouvido por sinal em todo o Rio Grande. Éramos três locutores no estúdio de rádio teatro, os scripts já vinham denominados: locutor 1, locutor 2... Tinha um colega que chegava sempre atrasado e nesse dia entrou no estúdio já ofegante e quando ganhou condições de falar fez sinal ao operador. A notícia que ele deveria ler era mais ou menos assim: “atracou hoje no porto desta capital um navio cargueiro paraguaio que trouxe para o Brasil...” e ele impostou a voz meio nasalada e soltou “atracou hoje no porto desta capital um navio cargueiro carregado de papagaio” (gargalhadas). O jornal acabou, aquilo foi instantâneo, começamos a rir, o operador colocou o prefixo se jogou debaixo da mesa pra rir e deixou uma trilha no ar, pois ninguém tinha mais condições. Só voltamos depois que o superintendente ligou ameaçando demitir todos. Fui ao bebedouro e molhei a cabeça pra poder me recompor.

CR – O que é preciso para ser um narrador de futebol? 
RA – É preciso ter acima de tudo vontade, e isso é pra vida. Você pode até ser alguma coisa, mas se não estiver voltado para aquilo, dificilmente vai conseguir. Tem que ouvir outros profissionais, pegar lições e criar seu estilo. Quando tinha 13 anos ia para os treinos e jogos, anotava as escalações e ficava narrando como se estivesse transmitindo a partida. Me espelhei em diversos narradores, principalmente os da Rádio Bandeirantes de SP. Mas fundamentalmente para ser um bom narrador tem que estar focado, assim como em qualquer atividade, e principalmente conhecer de esportes.

CR – Como você se define? 
RA - Fui e continuo sendo um operário do rádio. Pra mim a maior satisfação é estar em um campo de futebol, em um ginásio de esportes. Fiz de tudo até carregar malas, às vezes subia até em postes para instalar a linha telefônica para a transmissão esportiva. Neste momento não digo que estou frustrado, mas estou sentindo um vazio, pois estão acontecendo em Caçador os Jogos Abertos que sempre cobri deste 1971 e estou de fora pela primeira vez. 

CR – O que fez de mais estranho em sua carreira? 
RA – Você não vai acreditar, mas transmiti ginástica rítmica desportiva nos Jogos Abertos de Itajaí. Nunca havia feito, mas me pediram, Blumenau onde eu trabalhava estava na final. Aceitei mas pedi duas horas para me preparar, quando fui até um professor de educação física que lecionava na FURB e o convidei para comentar ao meu lado. Tinha noção que podia improvisar, argumentar, mas os detalhes técnicos me faltariam. Ele topou e foi umas das poucas transmissões que fiquei realizado ao terminar. Blumenau estava ouvindo em peso, pois era a única emissora a transmitir. Ele falava bem e entendia muito, a equipe da cidade ganhou e aprendi coisas que lembro até hoje sobre a modalidade.

CR – Assiste futebol pela televisão?
RA - Prefiro a transmissão no rádio, chego muitas vezes a desligar a televisão para ouvir no rádio, principalmente se o narrador não me agradar.

CR – Falando em narrador, o que acha do trabalho de Galvão Bueno que é muito criticado? 
RA - O problema dele não é a competência para desempenhar a função, é a vaidade. Tava vendo outro dia no seu programa ele dizendo que estaria em Nova Iorque, fala com arrogância, com vaidade, se enaltece. Nas transmissões também é assim, tem sempre que se notabilizar. Chegou a dizer a um colega quando questionado: “automobilismo você não fala pra mim que eu conheço tudo”. Sua qualidade técnica é boa, mas trata mal os colegas, basta perceber o que faz com o Arnaldo (Cesar Coelho). Então o problema é seu ego, não admite ser contrariado nem mesmo pelos comentaristas. Pra mim essa vaidade é ofensiva, eu não assisto jogos com ele. Mas tem gente muito boa na televisão, pessoas que valorizam os colegas, sabem brincar. O Luiz Roberto, por exemplo, é bom, não é agressivo. 

CR – Sua voz é conhecida, as pessoas associam ela a você? 
RA - Hoje em dia não é tanto, mas ainda acontece. Me reconhecem por ter me ouvido em alguma emissora. Dá uma satisfação pessoal, mas não vejo isso pelo lado da vaidade, vejo pelo ângulo de ter feito algo que agradou as pessoas. Ainda hoje o respeito que as pessoas têm pelo profissional do rádio é agradável. 

CR – E o rádio, vai acabar algum dia? 
RA - O rádio por sua instantaneidade nunca vai perder a magia. Mesmo aquele que não tem hábito de ouvir liga para saber sobre um acidente ou algo parecido. Por isso, acho que o rádio presta um serviço extraordinário, nunca vai perder sua essência, ele se adapta. Diziam que a TV iria acabar com o rádio, depois que a internet. O máximo que acontece é o rádio transmitir pela internet, então não acredito que este veículo esteja ameaçado.

CR – O melhor e pior do rádio? 
RA – Melhor... Conhecer pessoas, fazer amizades e principalmente saber que desenvolve uma atividade benéfica para inúmeras pessoas sem ter a dimensão do número que está te acompanhando. Por isso o rádio requer muita responsabilidade, não é chegar e falar qualquer coisa no microfone. O pior do rádio são alguns dirigentes que não tem sensibilidade, não tem feeling. O rádio é belíssimo, presta um serviço extraordinário, mas tem essas pessoas que só veem a frente deles cifrão, pensam no aspecto financeiro e não no técnico, principalmente em emissoras interioranas que não tem zelo pela contratação de profissionais e colocam no ar um cara que consegue vender alguns contratos.

CR – Finalizando, pretende permanecer no rádio até quando? 
RA – Até quando ele me quiser (brinca). Ao me aposentar me afastei da rotina frenética que exige o rádio. Confesso que sinto falta, mas permaneço fazendo free em emissoras da cidade e de fora pra matar a vontade. Os tempos são outros e o profissional precisa estar plugado. Não tenho facebook, não estou nas mídias sociais, pois acredito que isso tudo prende muito as pessoas. Abro apenas meu email duas vezes por dia para responder as correspondências e verifico notícias na internet. No mais faço caminhadas para ocupar meu tempo por ser uma pessoa inquieta.

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