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Previsão do Tempo 30/10/2026 | 18:27

Geral

Cinco feminicídios em uma semana acendem alerta para violência de gênero em SC

Publicado em 30/10/2026 ás14:18

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Sete dias, cinco cidades e cinco mulheres mortas sob o mesmo padrão de violência. Em um intervalo de apenas uma semana, cinco homens assassinaram companheiras ou ex-companheiras em Santa Catarina. As ocorrências reproduzem diagnósticos do Mapa do Feminicídio, lançado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para identificar fatores que antecedem crimes de gênero no estado.

A sequência violenta teve início em Ipira, em 20 de outubro, onde um homem arrombou a casa da ex-companheira, cometeu o homicídio e ocultou o corpo em um riacho. Dois dias depois, em Faxinal dos Guedes, outra mulher foi morta e escondida dentro de uma sacola de viagem. No dia 24, em Vargem, um homem executou a ex-companheira na presença das crianças, deixando cinco filhos órfãos. No dia seguinte, em Cocal do Sul, a vítima foi atingida por disparo de arma de fogo na cabeça enquanto segurava o neto bebê no colo. O último registro ocorreu em Indaial, na quarta-feira (28), quando uma mulher foi encontrada morta na residência do ex-companheiro.

Diagnóstico, fatores de risco e prevenção de mortes

Mesmo registrados em regiões distintas, os crimes mantêm características comuns analisadas pelo estudo do MPSC. Todos ocorreram em municípios de pequeno porte localizados em corredores de incidência de violência letal contra a mulher, envolvendo agressores com vínculo afetivo prévio e gerando impactos profundos nas estruturas familiares.

A Coordenadora-Geral do Núcleo de Enfrentamento às Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), Promotora de Justiça Chimelly Louise Resenes Marcon, destaca que o levantamento comprova que o feminicídio segue padrões previsíveis. Segundo a promotora, embora o sistema de justiça apresente resolutividade na condenação dos autores, o gargalo principal permanece na capacidade de articulação entre assistência social, saúde, educação e segurança pública para interromper o ciclo de violência antes do desfecho fatal.

Ruptura de relacionamentos e vulnerabilidade nos municípios

O levantamento do MPSC revela que 45,8% dos feminicídios no estado são motivados pelo término do relacionamento e pela recusa do agressor em aceitar a autonomia da vítima. Outros fatores frequentes envolvem desentendimentos (24,4%), ciúmes (12,5%), suspeitas de traição (4,6%) e disputas patrimoniais (1,7%).

O estudo aponta ainda que moradoras de cidades com menos de 50 mil habitantes enfrentam vulnerabilidade ampliada pelo acesso restrito a redes e estruturas regionais de proteção. Para combater esse cenário, o órgão defende a capacitação contínua de equipes locais e o fortalecimento de fluxos rápidos de atendimento.

Em casos de violência contra a mulher, denúncias e pedidos de socorro podem ser feitos pelos telefones 180 (Central de Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 197 (Polícia Civil), além das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) e das unidades do NEAVIT/MPSC.

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