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Joaçaba

Antonello comenta ação da PF na operação ‘Carne Fraca’

Publicado em 25/03/2017 ás11:30

Vereador Ricardo Antonello

Foto: Vereador Ricardo Antonello

O vereador Ricardo Antonello, comentou, na sessão da Câmara de Vereadores de Joaçaba da terça-feira (21) , a recente ação da Polícia Federal em relação a Operação ‘Carne Fraca’. Confira no texto abaixo a opinião do vereador:    

A Polícia Federal merece todo o nosso respeito e admiração, tem feito um trabalho excelente apoiando as ações do Ministério Público e do Judiciário na Operação Lava-Jato, portanto, é difícil condenarmos uma ação como essa da operação “Carne Fraca”, pois é claro que os corruptos precisam ser colocados na cadeia, sejam políticos, fiscais, executivos ou empresários.

Contudo, a crise de imagem a qual a agroindústria brasileira foi exposta é desnecessária. Até onde vi os problemas são pontuais e desconectados. Não justifica uma operação única que é a maior da história da Polícia Federal com mais de mil agentes nas ruas fazendo buscas e apreensões, dado o que foi divulgado.

É importante lembrar que o Brasil é primeiro no ranking em exportação de aves e bovinos e um dos primeiros em suínos. Nosso frango é exportado para 150 países, somos líderes mundiais há 10 anos nesse setor. No Brasil a agroindústria gera 12 bilhões de dólares ao ano ou, quase 40 bilhões de reais.

Pra nós de Santa Catarina é ainda pior. A agroindústria representa perto de 30% do PIB catarinense, ou seja, quase um terço da nossa economia depende disso. Dessa forma, a confiança abalada, mesmo que de forma injusta, demora pra ser reconquistada. E custa caro.

A forma com que a Polícia Federal divulgou a operação e o fato de ser a maior operação da história em número de agentes, automaticamente gera a preocupação de que o problema é muito grande. Mas indo um pouco mais a fundo vemos que são problemas isolados e principalmente nós de Santa Catarina não temos nada a ver com isso.

O uso de carne de cabeça de porco em embutidos é permitido por lei em produtos previamente cozidos, como mortadela e salsicha. Em linguiça de churrasco, a chamada linguiça frescal, o uso não é permitido justamente porque ela não passa por cozimento. Foi essa irregularidade que a PF viu no áudio. A situação irregular é no Frigorífico Peccin que é a única unidade de Santa Catarina com esse problema e poderia ser identificada e punida individualmente. Não vejo nenhuma ligação disso com as empresas maiores como a BRF por exemplo.

Já o alarme sobre o uso de conservantes cancerígenos, por exemplo, é equivocado no sentido de que tais produtos são autorizados para uso em alguns produtos. O ácido ascórbico é a vitamina C. Na norma brasileira, não há imposição de limite ao uso de vitamina C. E convenhamos, quase tudo faz mal, veja o caso da Caramelo IV na Cola-Cola, pesquise para ver.

E a história do papelão na carne é o maior dos absurdos! Existem muitos outros produtos que podem ser adicionados na carne para dar peso que não fazem mal a saúde como, por exemplo, a proteína de soja. Colocar papelão na carne não faz sentido. O áudio interceptado diz respeito à embalagem.

A divulgação dessa operação do jeito que foi feita, automaticamente exigiu uma resposta das nações importadoras do produto brasileiro. Se você fosse o responsável pelas importações na União Européia e, ao assistir o noticiário, o que você faria depois de ver que o Brasil fez a maior operação da história da PF por causa das irregularidades na carne brasileira? Eu faria o seguinte: Primeiro bloquearia tudo, pra depois ir conversar e ver se é verdade e o que foi que realmente ocorreu.

Alguns dos maiores importadores de carne do Brasil anunciaram na segunda-feira, 20/03, restrições à compra do produto. Dentre eles a União Europeia, China, Coréia do Sul e Chile. Felizmente, hoje (terça, 21) A Coreia do Sul já voltou atrás.

Além disso, os números falam por si só. Existem 4.850 unidades de processamento de carnes. Apenas 21 estão sob investigações o que dá 0,43% do conjunto todo e apenas 3 estão com interdições o que representa 0,06% do total.

Então a maior operação da Polícia Federal com mais de mil agentes nas ruas executando mais de 300 mandados de busca e apreensão resultou em 0,06% das fabricas interditadas. Fiquei feliz, isso significa que nossa carne não é fraca, pelo contrário, é muito segura. Nossa carne é e vai continuar sendo uma das melhores do mundo.

Fonte: Adriana Panizzi/Assessoria de Comunicação

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