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Publicado em 22/11/2019 ás17:30
O Portal de Notícias Caco da Rosa flagrou na tarde desta quinta-feira (21) um trabalhador lavando a torre da Igreja Senhor Bom Jesus, em Herval d´Oeste, sem o capacete, dispositivo do EPI (Equipamento de Proteção Individual), exigido na Norma Reguladora.
O fato chamou a atenção, pois recentemente dois trabalhadores perderam a vida. O primeiro caiu da marquise de um edifício em Joaçaba, enquanto trocava o ar-condicionado. O segundo acidente de trabalho ocorreu em Herval d´Oeste, quando um movimentador entregava materiais em uma obra e caiu no fosso do elevador.
Procuramos a engenheira responsável pela paróquia, Cristiane Vieira. Ela informou que ao chegar no local e notar que homem estava sem o equipamento de segurança, exigiu que ele descesse. O trabalho foi interrompido e só retomado nesta sexta-feira (22), com todos os equipamentos necessários (foto baixo), após o engenheiro de segurança conferir os equipamentos. A engenheira também informou que a empresa contratada possui capacitação para trabalhar em altura, conforme estabelece a Norma Reguladora Nº 35.
A Paróquia Senhor Bom Jesus, inclusive, encaminhou o contrato de prestação de serviço (foto abaixo), cuja Cláusula Sexta, estabelece que a empresa contratada assume a responsabilidade pela segurança de seus empregados, fornecendo equipamentos de proteção individual, além de outras obrigações pertinentes à segurança (uso de cinto, capacete e cadeirinha, com as cordas devidamente fixada em local seguro).
Enviamos a foto também para o Siticom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Joaçaba), que tem realizado campanhas contra sobre segurança no trabalho, disponibilizando cursos gratuitos. O presidente do Sindicato, Pedro Nogueira (Pedrinho), encaminhou sua análise sobre o fato.
“Sempre que recebo fotos ou vejo trabalhadores executando este tipo de trabalho vem à preocupação, pois em menos de 30 dias dois trabalhadores perderam suas vidas executando trabalho em altura, que se tivessem tomado todas as medidas necessárias, com certeza as mortes teriam sido evitadas. Na foto, percebo que o trabalhador estava sem capacete com jugular (cordão que prende o capacete para evitar queda do mesmo), mas ao mesmo tempo percebi que ele estava ancorado (preso em uma corda). Isso me deixou aliviado, mas não consigo avaliar pela foto se ele está com trava-queda, para que fique pendurado em caso de algum mal súbito até o socorro chegar. Mesmo assim, me surgiu alguns questionamentos que somente pela foto não consigo saber se foram ou não observados. Será que este trabalhador tem o curso obrigatório da NR 35, que é obrigatório para trabalhos acima de 2 metros de altura? Será que está válido (NR35 validade por dois anos). Será que os EPIs e EPCs estão com o C.A validos? Será que foi feito analise de risco e permissão de trabalho (são obrigatórios esses itens para execução de atividades em altura), que se forem executados de forma correta tenho certeza de que evitaria acidentes e mortes por queda em altura. E, finalizando minha visão, a partir da foto, como o trabalhador acessou o local para executar a atividade? Pelo lado de fora? Por algum alçapão interno? Será que foram tomadas as medidas necessárias no início da atividade com a análise de risco e permissão de trabalho para evitar os riscos de acidente ou mesmo morte? Faço essas observações no sentido de orientar e conscientizar, não só o trabalhador ou a empresa que vai executar o trabalho, pois venho falando sobre este tema há pelo menos quatro anos, pois a contratante é responsável solidária em caso de acidente, com ou sem morte. Por isso, sempre insisto que os contratos tragam as obrigações também de saúde e segurança mais detalhados, e que o contratante, antes de permitir que execute a atividade, faça checklist destes e de outros itens”.
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