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Previsão do Tempo 11/09/2026 | 08:05
Publicado em 20/03/2025 ás19:30
Chapecó abriga um dos maiores complexos prisionais de Santa Catarina, sendo referência em trabalho prisional. Com 3.393 detentos, os estabelecimentos penais da cidade oferecem oportunidades de emprego para 1.065 internos, representando 31% da população carcerária.
Atualmente, o complexo mantém 37 parcerias com empresas privadas e órgãos públicos, o que impulsiona a ressocialização e atrai visitas técnicas de diversas regiões do país. "Aqui, o Estado faz o preso trabalhar para custear sua estadia e obter uma renda para auxiliar a família. A produção é diversificada, abrangendo costura, embalagens, fabricação de chuveiros, camas e sofás, beneficiando tanto os internos quanto o próprio Estado", destacou o governador Jorginho Mello.
Além das parcerias, o complexo conta com oficinas próprias nas áreas de marcenaria, artefatos de concreto e produção de telas e alambrados, permitindo a comercialização dos produtos e a ampliação das vagas de trabalho.

O superintendente da Polícia Penal na região Oeste, Guimorvan Boita, acompanhou a evolução do complexo ao longo de seus 50 anos. "No início, era uma unidade agrícola com pouco mais de 200 presos. Hoje, além da produção rural, há uma forte vocação industrial, com 15 empresas utilizando a mão de obra carcerária", afirmou.
As indústrias instaladas no complexo fabricam desde roupas infantis e vestidos de noiva até torneiras eletrônicas, luminárias e artigos de cama, mesa e banho. Dos 3.400 detentos, cerca de 1.000 atuam diretamente nessas empresas, enquanto outros cumprem expediente externo por meio do regime semiaberto.

O empresário Orlando Bianchin, do setor têxtil, iniciou suas atividades no sistema prisional com apenas 30 internos. Diante do sucesso da iniciativa, expandiu a produção e hoje emprega 115 detentos. "No começo, não acreditávamos que seria possível montar uma indústria têxtil dentro do presídio. Mas com o tempo, percebemos o potencial e investimos mais de R$ 10 milhões em um novo barracão. Atualmente, 90% da nossa mão de obra está aqui", contou Bianchin.
Os detentos recebem um salário mínimo, sendo que 25% são destinados ao custeio da estadia, 50% podem ser repassados às famílias e os outros 25% ficam depositados em uma poupança, acessível apenas após a soltura. Somente em 2024, as unidades prisionais de Santa Catarina arrecadaram R$ 28 milhões com o trabalho carcerário, valor reinvestido na manutenção dos estabelecimentos penais.
A secretária de Estado da Justiça e Reintegração Social, Danielle Amorim Silva, ressaltou que a capacitação dos presos para o mercado de trabalho fortalece a ressocialização. "Nosso modelo já é referência nacional e será ampliado. Com as 8 mil novas vagas anunciadas pelo governador Jorginho Mello, todas as unidades já contarão com galpões industriais, facilitando a parceria com empresas privadas e aumentando a oferta de trabalho", explicou.
Danielle reforçou ainda a importância de oferecer oportunidades concretas para a reinserção dos detentos na sociedade. "A execução penal prevê políticas públicas de educação, saúde e trabalho. Quanto mais capacitarmos os presos, melhor será o retorno deles ao convívio social e ao mercado de trabalho", concluiu.
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