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Verão foi menos chuvoso do que o necessário para repor água do solo

Publicado em 27/03/2025 ás17:00

Reprodução Flipar

Foto: Reprodução Flipar

O volume de chuvas registrado no verão, que terminou na última quinta-feira (20), não foi suficiente para recompor os estoques de água no solo, agravando a escassez hídrica e impactando a produção agrícola. A constatação é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

Segundo o Inmet, apesar de algumas regiões, como o Amazonas, o sudoeste do Pará e áreas do Maranhão e Piauí, terem registrado um período chuvoso intenso, a maior parte do país ainda sofre com os efeitos da seca. “Os volumes apresentados não foram suficientes para recuperar o estoque hídrico do solo, castigado pelas últimas secas e incêndios florestais que têm afetado com maior frequência os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal nos últimos dois anos”, destacou o instituto.

Entre dezembro de 2024 e fevereiro deste ano, a redução no volume de chuvas foi significativa, com um déficit de 200 milímetros (mm) em áreas como o norte do Pantanal, norte de Mato Grosso, Rondônia, leste do Acre e sudoeste do Pará. Esse valor equivale a uma redução de 200 litros de água da chuva por metro quadrado de solo.

Impactos na agricultura

A escassez de chuvas nos últimos meses resultou na perda de folhas em florestas do oeste do Pará, leste do Amazonas, Rondônia e no Pantanal mato-grossense. Além disso, a baixa umidade do solo afetou a produtividade de grãos em diversas regiões, comprometendo a colheita.

O Inmet alerta que a estiagem ocorreu justamente no período de semeadura, intensificando os prejuízos para diferentes culturas agrícolas. “Grande parte do oeste da Amazônia ainda conta com disponibilidade de água no solo, favorecendo a produção. No entanto, no Pantanal, em praticamente todo o Brasil Central, além de Minas Gerais e das regiões oeste de São Paulo até o Rio Grande do Sul, a oferta de chuvas foi limitada, deixando o solo mais seco e dificultando a recuperação hídrica”, explicou a agrometeorologista do Inmet, Lucietta Martorano.

O impacto na agricultura reflete diretamente na economia do país. A menor oferta de produtos pode pressionar os preços dos alimentos, aumentando a inflação. Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, registrou alta de 0,64%, com os alimentos sendo o principal fator de pressão sobre o índice. Apesar do cenário preocupante, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou no início do mês que espera uma redução nos preços dos alimentos ao longo de 2025, impulsionada pela supersafra prevista para este ano.

O sexto verão mais quente da história

O verão 2024/2025 foi o sexto mais quente do Brasil desde 1961, com temperatura média de 25,81°C — 0,34°C acima da média histórica do período entre 1991 e 2020 (25,47°C). O recorde ainda pertence ao verão 2023/2024, quando a temperatura média foi de 26,20°C.

Fonte: Agência Brasil

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