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Previsão do Tempo 13/06/2026 | 07:53
Publicado em 27/06/2025 ás17:17
As brasileiras estão tendo menos filhos e adiando a maternidade. É o que revela o Censo Demográfico de 2022, divulgado nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de fecundidade total, que representa a média de filhos por mulher em idade reprodutiva (15 a 49 anos), caiu para 1,55 — bem abaixo da taxa de reposição populacional, que é de 2,1.
Segundo o IBGE, essa queda vem ocorrendo desde a década de 1960, quando a taxa era de 6,28 filhos por mulher. O número caiu progressivamente nas décadas seguintes: 5,76 em 1970, 4,35 em 1980, 2,89 em 1991, 2,38 em 2000 e 1,90 em 2010.
A pesquisadora do IBGE Marla Barroso explica que a queda começou nas regiões mais desenvolvidas, especialmente no Sudeste, entre mulheres com maior nível de escolaridade e em áreas urbanas. “Nas décadas seguintes, essa transição se espalhou por todo o Brasil”, afirma.
Diferenças regionais
A Região Sudeste tem hoje a menor taxa de fecundidade do país: 1,41. No Sul, a taxa é de 1,50, e no Centro-Oeste, 1,64. Já o Norte e o Nordeste, apesar de também registrarem queda, ainda apresentam os índices mais altos: 1,89 e 1,60, respectivamente.
Entre os estados, Roraima é o único com taxa acima da reposição populacional, com 2,19 filhos por mulher, seguido por Amazonas (2,08) e Acre (1,90). Os menores índices estão no Rio de Janeiro (1,35), Distrito Federal (1,38) e São Paulo (1,39).
Maternidade mais tardia
Além da redução no número de filhos, o levantamento mostra que as mulheres estão tendo filhos mais tarde. A idade média da fecundidade passou de 26,3 anos em 2000 para 28,1 anos em 2022. O Distrito Federal registra a maior média (29,3 anos), enquanto o Pará tem a menor (26,8 anos). Entre as regiões, o Norte tem a idade média mais baixa (27 anos), e o Sudeste e Sul, as mais altas (28,7 anos).
Mais mulheres sem filhos
O Censo também identificou um aumento no número de mulheres que chegam ao fim da idade reprodutiva sem filhos. Entre as mulheres de 50 a 59 anos, o percentual passou de 10% em 2000 para 16,1% em 2022. No Rio de Janeiro, o índice chegou a 21%, o maior do país. Tocantins apresentou o menor percentual: 11,8%.
Fecundidade por religião e raça
O estudo aponta variações significativas na taxa de fecundidade conforme religião e raça. Entre as religiões, as mulheres evangélicas apresentaram a maior taxa (1,74 filhos por mulher), enquanto as espíritas tiveram a menor (1,01). Mulheres católicas (1,49), sem religião (1,47) e de religiões afro-brasileiras como umbanda e candomblé (1,25) ficaram abaixo da média nacional.
O pesquisador Marcio Minamiguchi observa que esses dados não permitem afirmar uma relação direta entre religião e número de filhos, pois outros fatores como renda, escolaridade e local de residência também influenciam.
No recorte racial, as mulheres indígenas registraram a maior taxa (2,8), seguidas por pardas (1,7) e pretas (1,6). As mulheres brancas tiveram taxa de 1,4, e as de origem asiática (amarelas), a menor: 1,2. A idade média da fecundidade foi de 29 anos entre brancas, 27,8 entre pretas e 27,6 entre pardas.
Escolaridade influencia fecundidade
A escolaridade é outro fator determinante. Mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto têm, em média, 2,01 filhos, enquanto aquelas com ensino superior completo registram 1,19. Para quem concluiu o ensino médio ou tem ensino superior incompleto, a taxa é de 1,42.
Segundo Izabel Marri, gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE, a maior escolaridade amplia o acesso à informação e aos métodos contraceptivos. “A mulher com mais instrução tem mais recursos para fazer escolhas conscientes sobre a maternidade”, explica.
A idade média da fecundidade também varia conforme a escolaridade: é de 26,7 anos entre mulheres com baixa escolarização e chega a 30,7 anos entre aquelas com ensino superior completo.
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