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Polícia

Operação desmantela quadrilha que enganava idosos e desviava créditos judiciais

Publicado em 22/07/2025 ás09:33

MPSC/Divulgação

Foto: MPSC/Divulgação

O GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) deflagrou na manhã desta terça-feira (22) a Operação Entre Lobos, com o cumprimento simultâneo de 13 mandados de prisão — oito preventivas e cinco temporárias — e 35 mandados de busca e apreensão em 12 municípios de cinco estados: Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia e Alagoas. A operação também determinou o bloqueio de até R$ 2 milhões por alvo em contas de 13 investigados e 3 empresas, além da apreensão de 25 veículos.

A ação visa desmantelar uma complexa organização criminosa que, de forma estruturada e recorrente, praticava estelionato contra idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. Os crimes incluem também lavagem de dinheiro, patrocínio infiel e a atuação irregular na advocacia. As ordens judiciais foram expedidas pelo Poder Judiciário com base em provas robustas reunidas ao longo de quase um ano de investigação.

Esquema fraudulento

O grupo abordava principalmente aposentados em suas casas ou por meio da internet, oferecendo serviços para revisão de contratos bancários. Após o ajuizamento das ações, os clientes eram induzidos a ceder seus créditos judiciais — muitas vezes sem entender a natureza dos contratos assinados — a empresas de fachada que integravam o esquema. Em troca, recebiam valores irrisórios em comparação ao montante a que tinham direito.

Um dos canais utilizados para captar vítimas era o site do Instituto de Defesa do Aposentado e Pensionista (IDAP), que servia como fachada institucional. Por meio dele, as vítimas forneciam documentos e autorizações para o ajuizamento das ações, sem saber que estavam entregando seus créditos judiciais ao grupo criminoso.

As cessões de crédito eram formalizadas por valores muito inferiores aos reais. Em um dos casos, uma vítima com direito a R$ 146 mil recebeu apenas R$ 2.500 (1,71% do valor). Outro idoso, com crédito de R$ 117 mil, recebeu o mesmo valor simbólico, representando 2,12%. Em um terceiro caso, R$ 115 mil se transformaram em R$ 2 mil (1,73%).

As empresas envolvidas no esquema, como Ativa Precatórios (Pinhalzinho/SC) e BrasilMais Precatórios (Fortaleza/CE), figuravam nos contratos como cessionárias dos créditos, enquanto os alvarás judiciais eram expedidos em nome de um escritório de advocacia apontado como o núcleo da organização. O dinheiro era então dividido entre os integrantes do grupo, conforme revelaram planilhas apreendidas com detalhes sobre a partilha dos lucros.

Apenas com essas duas empresas, foram identificados repasses judiciais que somam mais de R$ 6 milhões, dos quais menos de 10% chegaram às vítimas.

Abrangência e impacto social

O grupo atuava principalmente nos estados de Santa Catarina, Ceará, Alagoas e Rio Grande do Sul, com pretensões de expansão para Paraná e São Paulo. Em SC, a Ativa Precatórios concentrou suas operações no Oeste; já a BrasilMais expandiu sua atuação para o Sul do país. O IDAP atuava em 37 comarcas nos três estados do Sul.

Até o momento, cerca de 215 vítimas foram identificadas, com estimativas que apontam para mais de mil pessoas lesadas. A maioria dos lesados tem idade média de 69 anos.

Mobilização nacional

Mais de 130 agentes do GAECO de SC participaram da operação, com apoio dos GAECOs do CE, AL, BA e RS, além da Polícia Militar de SC, Brigada Militar gaúcha e Promotores de Justiça. As diligências foram acompanhadas por representantes da OAB, em respeito às prerrogativas da advocacia.

Como denunciar

Vítimas do esquema podem registrar boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil mais próxima, ou contatar:

  • Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo/SC – WhatsApp: (49) 99200-7462

  • Ouvidoria do MPSC – E-mail: ouvidoria@mpsc.mp.br | Telefones: (48) 3229-9306 ou 127 (das 9h30 às 19h)

É essencial que todas as vítimas se manifestem para permitir o dimensionamento completo dos danos, a responsabilização dos envolvidos e a reparação financeira.

Origem do nome da operação

O nome Entre Lobos remete à postura predatória dos investigados, que, valendo-se de prerrogativas legais da advocacia, traíram a confiança de seus clientes — em sua maioria idosos — para se apropriar de seus direitos. A denominação também presta homenagem a uma das vítimas, de sobrenome Wolf (lobo, em inglês), que faleceu durante o curso da investigação.

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