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Banco Central mantém juros básicos da economia em 15% ao ano

Publicado em 30/07/2025 ás19:00

Antonio Cruz/Agência Brasil

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Diante da desaceleração econômica e do recuo da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 15% ao ano. A decisão, amplamente antecipada pelo mercado, marca uma pausa no ciclo de alta dos juros, que vinha sendo promovido desde setembro do ano passado.

Em comunicado, o Copom afirmou que a política comercial dos Estados Unidos aumentou a incerteza em relação aos preços e reforçou a necessidade de cautela no cenário atual. O comitê não descartou a possibilidade de retomar o aumento dos juros caso o ambiente inflacionário se deteriore.

“O comitê tem acompanhado, com particular atenção, os anúncios referentes à imposição pelos Estados Unidos de tarifas comerciais ao Brasil, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, informou a nota. “Seguirá vigilante e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste, caso julgue apropriado.”

A Selic permanece no maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. O ciclo de aperto monetário, iniciado em setembro de 2024, contou com sete elevações consecutivas, totalizando um aumento de 4,5 pontos percentuais em menos de um ano.

Inflação ainda preocupa

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em junho, o IPCA recuou para 0,24%, mas ainda acumula alta de 5,35% em 12 meses — acima do teto da nova meta contínua de inflação, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O IPCA-15 de julho, uma prévia da inflação oficial, surpreendeu negativamente ao acelerar em função dos reajustes na energia elétrica e nas passagens aéreas.

Pelo novo modelo de metas contínuas, a meta é apurada mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses, e não mais apenas em dezembro. Em junho de 2025, por exemplo, a inflação será comparada à meta considerando os dados desde julho de 2024.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado em junho, o BC reduziu a previsão de inflação para 2025 para 4,9%, mas alertou que o número pode ser revisto dependendo da variação cambial e dos preços. O próximo relatório está previsto para setembro.

O mercado, por sua vez, mantém projeções mais pessimistas. Segundo o boletim Focus, a estimativa de inflação para 2025 é de 5,09%, quase um ponto percentual acima do teto da meta.

Crescimento x crédito caro

A elevação da Selic ajuda a conter a inflação ao encarecer o crédito e desestimular o consumo e a produção. Porém, também reduz o ritmo de crescimento econômico. O Banco Central prevê crescimento de 2,1% para o PIB em 2025. Já o boletim Focus projeta uma expansão de 2,23%.

A Selic é usada como referência para as demais taxas de juros da economia, inclusive no mercado de títulos públicos. Quando está alta, incentiva a poupança e desaquece a economia. Quando reduzida, estimula o crédito e o consumo, mas exige maior controle sobre os preços.

Fonte: Agência Brasil

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