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Metanol do crime organizado pode estar ligado a intoxicações em São Paulo

Publicado em 30/09/2025 ás08:00

© Biodiesel Brasil

Foto: © Biodiesel Brasil

Em entrevista à TV Brasil nesta segunda-feira (29), o diretor de comunicação da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), Rodolpho Heck Ramazzinio, afirmou que o metanol importado pelo crime organizado para adulteração de combustíveis pode ter sido redirecionado para distribuidoras clandestinas de bebidas. A prática, segundo ele, pode explicar os recentes casos de intoxicação registrados no estado de São Paulo.

Ramazzinio destacou que esse redirecionamento ganhou força após a Operação Carbono Oculto, deflagrada no fim de agosto pela Receita Federal e órgãos parceiros. A ação desarticulou um esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e falsificação no setor de combustíveis.

“Você tem as empresas interditadas, a transportadora do PCC fica parada [após a operação]. Os tanques que não estavam nos pátios dessas empresas começam a ser esvaziados em outros locais. Eles vendem para empresas químicas, para destilarias clandestinas, apenas para ganhar volume e escala, sem qualquer preocupação com a saúde da população”, disse.

De acordo com o Anuário da Falsificação da ABCF 2025, o setor de bebidas foi o mais afetado pelo mercado ilegal em 2024, acumulando prejuízo de R$ 88 bilhões — sendo R$ 29 bilhões em tributos sonegados e R$ 59 bilhões em perdas de faturamento das indústrias legalizadas.

A Operação Carbono Oculto alcançou cerca de mil postos de combustíveis ligados ao grupo criminoso, que movimentaram aproximadamente R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Conforme a Receita Federal, o metanol era importado sob falsos pretextos e desviado para a fabricação de gasolina adulterada.

Balanço

Segundo o governo paulista, desde junho foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol relacionados a bebidas adulteradas. Outros dez casos seguem sob investigação, sendo que três já resultaram em morte: um homem de 58 anos em São Bernardo do Campo, outro de 54 anos na capital e um terceiro, de 45 anos, ainda sem residência identificada.

Recomendação

O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) reforça que o consumo de bebidas alcoólicas clandestinas ou sem procedência confiável oferece risco à saúde, já que podem conter substâncias altamente tóxicas.

“A orientação é que bares, empresas e consumidores verifiquem a procedência dos produtos, adquirindo apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, para evitar intoxicações que podem levar à morte”, alertou o órgão.

Fonte: Agência Brasil

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