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Polícia

Perícia confirma que metanol em bebidas foi adicionado, não produzido naturalmente

Publicado em 09/10/2025 ás09:00

UFPR/Divulgação

Foto: UFPR/Divulgação

O Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo confirmou nesta quarta-feira (8) que o metanol encontrado nas garrafas contaminadas foi adicionado de forma intencional, já que a concentração detectada é anormal e não corresponde ao resultado de um processo natural de destilação.

Durante a destilação, são produzidos diferentes tipos de álcoois. O metanol, por ser mais leve, tende a se concentrar na parte superior do volume — seja em tonéis artesanais, de madeira ou em equipamentos industriais. Essa fração inicial, conhecida como “cabeça”, precisa ser separada e descartada, etapa que é acompanhada e controlada por químicos e engenheiros especializados.

A separação ocorre por diferença de temperatura: o metanol entra em ebulição a 64,7 °C, enquanto o etanol ferve a 78,4 °C. Os órgãos técnicos consideram segura uma concentração de até 0,25 ml de metanol a cada 100 ml de bebida, valor que não representa risco ao consumidor.

Segundo nota técnica do Conselho Regional de Química da 8ª Região (CRQ-VIII/Sergipe), “em destilarias profissionais, devidamente operadas por profissionais credenciados pelos Conselhos Regionais de Química (CRQs), essa fração inicial é descartada, pois concentra os álcoois mais leves e tóxicos. No entanto, em produções artesanais ou clandestinas, esse controle muitas vezes não é realizado corretamente, resultando em maior teor de metanol na bebida final”.

Ainda conforme o CRQ-VIII, doses a partir de 4 ml de metanol já podem causar danos graves, como cegueira, e quantidades acima de 20 ml oferecem risco de morte.

Até o momento, 24 pessoas foram intoxicadas por metanol após ingerirem bebidas alcoólicas adulteradas em diferentes regiões do país.

Fonte: Agência Brasil

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