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MP pede aumento de pena para mulher que matou marido e ocultou corpo em freezer

Publicado em 13/10/2025 ás18:09

Reprodução/Rádio Capinzal

Foto: Reprodução/Rádio Capinzal

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recorreu da sentença que condenou Claudia Tavares Hoeckler por matar o marido Valdemir Hoeckler asfixiado, esconder o corpo no freezer de casa e registrar um falso desaparecimento para confundir as autoridades, em Lacerdópolis. O pedido busca o aumento da pena, fixada em 20 anos e 24 dias de prisão pelos crimes de homicídio, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Claudia foi julgada e condenada pelo Tribunal do Júri da Comarca de Capinzal no dia 28 de agosto, em uma sessão que durou dois dias. Embora os jurados tenham acolhido integralmente a denúncia do Ministério Público, a Promotoria entende que a pena fixada não reflete a gravidade dos fatos e, por isso, recorreu da decisão.

Promotor de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos no Tribunal do Júri

De acordo com o Promotor de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos, que atuou no Tribunal do Júri, a decisão não considerou adequadamente a culpabilidade e a personalidade da ré, nem as circunstâncias e consequências do crime. O recurso foi apresentado em 18 de setembro e aguarda julgamento no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

“Ficou comprovado que a ré agiu de maneira premeditada, e o conjunto probatório evidencia traços de frieza e insensibilidade incomuns. Após tirar a vida do próprio cônjuge, manteve o corpo oculto em um freezer por aproximadamente cinco dias, enquanto simulava preocupação, participando das buscas e mobilizando familiares, vizinhos, bombeiros e autoridades policiais. Esse comportamento revela uma personalidade manipuladora, que deveria ter sido considerada na fixação da pena”, destacou o Promotor de Justiça.

Familiares da vítima acompanharam o julgamento

Segundo ele, as consequências do crime também foram subestimadas. “O caso ganhou ampla repercussão nacional em razão da crueldade e da simulação da ré. A constante exposição nos meios de comunicação intensificou a dor dos familiares e abalou o sentimento de segurança da comunidade local”, observou.

Outro ponto questionado é a atenuação da pena por confissão espontânea. O MPSC sustenta que a mulher só admitiu o homicídio após o corpo ser encontrado por amigos dentro do freezer. Durante o julgamento, ela tentou justificar o crime alegando sofrer violência doméstica, mas essa versão foi totalmente descartada pelo Tribunal do Júri.

O Promotor de Justiça Diego Bertoldi também atuou na acusação

O objetivo do MPSC é que todos esses elementos sejam revisados pelo TJSC e que a pena aumente. O recurso foi interposto no dia 18 de setembro e aguarda julgamento. Vale ressaltar que o escritório de advocacia que defende a ré quase foi afastado do caso após perder o prazo para apresentar seus argumentos e contrapontos — juridicamente chamados de contrarrazões.

Relembre o caso

O crime ocorreu em 19 de novembro de 2022, em Lacerdópolis. O corpo de Valdemir Hoeckler, dado como desaparecido havia cinco dias, foi encontrado congelado dentro do freezer da própria casa, sob alimentos e bebidas, com pés e mãos amarrados. O caso chocou os pouco mais de 2.200 moradores, já que o município não registrava homicídios havia 30 anos.

No mesmo dia, a esposa publicou um vídeo nas redes sociais confessando o assassinato e alegando ser vítima de agressões. Entretanto, a investigação apontou que o casal mantinha boa convivência, e mensagens trocadas entre ambos contradiziam a versão apresentada por ela.

De acordo com a denúncia do MPSC, a mulher dopou o marido com medicamentos de uso rotineiro, amarrou seus pés e mãos e colocou uma sacola plástica em sua cabeça, provocando a asfixia.

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