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Banco Central mantém juros básicos da economia em 15% ao ano

Publicado em 05/11/2025 ás19:33

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Foto: Imagem ilustrativa

O recuo da inflação e a desaceleração da economia levaram o Banco Central (BC) a manter os juros no mesmo patamar. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (5) preservar a taxa Selic em 15% ao ano, confirmando a expectativa do mercado financeiro.

Em nota, o BC afirmou que o cenário internacional segue incerto, especialmente diante da conjuntura econômica e da política monetária nos Estados Unidos, fatores que impactam as condições financeiras globais.

No Brasil, apesar da perda de ritmo da atividade econômica, a inflação permanece acima da meta. Diante desse quadro, o Copom avaliou que os juros devem permanecer elevados por um período prolongado.

“O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O comitê entende que a manutenção do nível atual da taxa de juros por um período suficientemente longo é adequada para garantir a convergência da inflação à meta”, destacou o BC.

O Copom não descartou a possibilidade de novas altas “caso julgue apropriado”. Esta é a terceira reunião consecutiva em que o colegiado mantém os juros básicos, que estão no maior nível desde julho de 2006, quando atingiram 15,25% ao ano.

A Selic, que estava em 10,5% ao ano em maio de 2024, começou a subir em setembro do mesmo ano e alcançou 15% em julho de 2025, permanecendo nesse patamar desde então.

Inflação ainda acima da meta

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em setembro, o IPCA acelerou para 0,48%, pressionado pelo aumento na conta de energia elétrica, acumulando alta de 5,17% em 12 meses, acima do teto da meta contínua de 4,5%.

Entretanto, o IPCA-15 de outubro, considerado uma prévia da inflação, veio abaixo das expectativas, refletindo a queda dos preços dos alimentos pelo quinto mês consecutivo.

Com o novo modelo de meta contínua, em vigor desde janeiro, o objetivo de inflação de 3% ao ano é apurado mês a mês, considerando o acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

No Relatório de Política Monetária de setembro, o BC reduziu de 5% para 4,8% a projeção do IPCA para 2025, mas sinalizou que o número pode ser revisto conforme o comportamento do câmbio e dos preços. A próxima edição do relatório será divulgada no fim de dezembro.

O mercado financeiro está um pouco mais otimista. Segundo o Boletim Focus, que reúne previsões de analistas, a inflação deve encerrar 2025 em 4,55%, ligeiramente acima do teto da meta. Há um mês, a projeção era de 4,8%.

Crescimento menor e crédito mais caro

A manutenção da taxa Selic em 15% torna o crédito mais caro, o que ajuda a conter a inflação, mas também desacelera o crescimento econômico. O Banco Central reduziu de 2,1% para 2% a projeção de alta do PIB em 2025.

O mercado, porém, projeta um desempenho um pouco melhor: crescimento de 2,16%, segundo o boletim Focus.

A taxa Selic serve de referência para todas as demais taxas de juros da economia e influencia diretamente o custo dos financiamentos, o consumo e os investimentos. Juros mais altos desestimulam o crédito e a produção, mas reforçam o controle dos preços. Já reduções na taxa tornam o crédito mais acessível, estimulam o consumo, porém podem enfraquecer o combate à inflação.

Fonte: Agência Brasil

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