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Cultura

Filme catarinense sobre agroglifo estreia na Tela Quente desta segunda-feira

Publicado em 23/02/2026 ás17:40

Divulgação

Foto: Divulgação

O filme catarinense “Um Dia Extraordinário”, dirigido por Cíntia Domit Bittar, estreia em rede nacional nesta segunda-feira (23/02), às 23h. O filme será exibido na “Tela Quente”, logo após o “BBB”. Após a transmissão em TV aberta para todo o Brasil, o filme ficará disponível na Globoplay durante uma semana, inicialmente. Também estará em destaque no dia no “Cine BBB”, disponível para os participantes do reality show assistirem na casa.

Na trama da produtora catarinense Novelo Filmes em coprodução com a Globo Filmes, a rotina da jovem agricultora Moira é abalada pela aparição de um agroglifo em sua pequena fazenda, onde vive com Ivete, sua mãe octogenária fascinada pelo universo extraterrestre. O evento desperta a curiosidade da vizinhança e provoca o inesperado reencontro com a irmã Cecília e o irmão Maurício, forçando o enfrentamento tanto da distância que cresceu entre a família quanto do inevitável envelhecimento da matriarca.

A diretora Cíntia Domit Bittar (“Virtuosas”, 2025, vencedor do Prêmio Netflix da 49ª MostraSP 2025; "Baile", qualificado ao Oscar 2021; entre outras produções) conduz um elenco catarinense de peso, desde a veterana atriz de teatro e de televisão brasileira Margarida Baird, radicada em Santa Catarina desde os anos 1980, à atriz Paula Braun, misturado a talentos como a caçadorense Alana Bortolini, além de Valdir Grillo, Emilly Vicente, Andres Prestes e Sarah Motta, e elenco local pesquisado nas cidades. Cintia assina o roteiro, ao lado de Maria Augusta V. Nunes. O filme foi financiado através da Lei do Audiovisual / ANCINE.

Diretora Cíntia Domit Bittar (Foto: Luiz Ferreirah)

As filmagens se deram em grande parte em Abelardo Luz, no Oeste catarinense, mas também em Florianópolis e Bom Retiro. A trama mistura drama familiar e realismo regional para contar a história de um reencontro marcado por memórias, afeto e um misterioso agroglifo que surge na plantação da protagonista. 

O filme transita sutilmente entre mistério, ficção científica, cotidiano rural, comédia e drama familiar. “Aqui, resolvemos partir do surgimento de um agroglifo para explorar um drama familiar agridoce, buscando equilíbrio entre sutilezas e fortes emoções. O elemento de ficção científica, portanto, não é o tema, mas o catalisador”, afirma a diretora.  

“Um Dia Extraordinário” integra o projeto “Telefilmes Regionais", da rede nacional e das emissoras regionais, que selecionou, desenvolveu e coproduziu histórias locais com produtoras independentes de sete estados do país, mais o Distrito Federal. No caso do telefilme catarinense a coprodução é da NSC TV. Os telefilmes fazem parte de uma leva de oito produções que fizeram parte da iniciativa este ano. No ano passado foram cerca de 45 milhões de espectadores. As obras são produções de ficção com até 50 minutos de duração. 

Trama transita entre gêneros

A trama acompanha Moira, uma jovem agricultora que permanece no campo cuidando da mãe idosa, enquanto os irmãos seguiram a vida em outras cidades. A aparição de um enorme agroglifo, figura geométrica desenhada na plantação, rompe a rotina das duas e provoca o retorno dos irmãos, obrigando a família a encarar conversas adiadas sobre envelhecimento, cuidado e distância. 

O enredo do filme se passa em um dia dessa família, no qual Moira precisa lidar, ao mesmo tempo, com o fenômeno misterioso e com as tensões familiares. A narrativa transita entre gêneros e aposta em um drama agridoce, daqueles que despertam identificação e reflexão. 

O agroglifo, aliás, não é apenas um elemento visual. A diretora conta que o interesse pelo tema vem de 2015, quando esteve na região para registrar o fenômeno em um documentário. “Eu sempre pensei em aproveitar esse tema no universo da ficção. De ter esse sinal como um disparador da trama. E finalmente surgiu a oportunidade”, revela Cíntia. 

Regionalismo, sotaque e história local

Um dos grandes desafios do projeto foi retratar Santa Catarina sem ser caricata. A proposta, segundo a equipe, foi investir em um regionalismo sutil, com sotaques e gírias preservados, referências culturais e paisagísticas. 

“É uma responsabilidade muito grande apresentar sotaques pouco escutados na cinematografia brasileira. E dá um orgulho também”, comenta Cíntia, que cresceu em Caçador, no Meio-Oeste.

A equipe do filme buscou trabalhar com a memória afetiva catarinense, e isso se refletiu na escolha do figurino, das comidas para a cena do jantar e também dos objetos, muitos trazidos da casa do pai da diretora.

O filme percorre paisagens do Oeste, da Serra e do Litoral, reforçando o movimento tão comum entre famílias catarinenses que se espalham pelo Estado, mas mantêm os laços. 

Fonte: Dari Pasternak/Novelo Filmes

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