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Tecnologia

Startup de Videira cria projeto inédito no Brasil para incentivar a leitura

Publicado em 05/03/2026 ás19:05

Milena Nandi/Fapesc

Foto: Milena Nandi/Fapesc

Uma iniciativa inédita no Brasil, criada em Videira com apoio do Governo de Santa Catarina, está ampliando o acesso à leitura de forma inovadora. Por meio de totens inteligentes, a startup Flash Reader permite que o público imprima capítulos de livros, crônicas, poemas e outros conteúdos culturais em formato semelhante ao de cupom fiscal. A proposta é simples: oferecer leituras curtas e gratuitas, que se encaixem no tempo disponível de cada pessoa.

Desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), por meio do Programa Nascer, o projeto já conquistou espaço em diferentes ambientes e iniciou a expansão para fora do estado. A Flash Reader já esteve presente em eventos e espaços em São Paulo, como a Bienal Internacional do Livro e a área temática da Turma da Mônica, no MSP Estúdios.

A ideia surgiu durante a pandemia e ganhou impulso em 2023 com a participação no Programa Nascer, realizado pela Fapesc em parceria com o Sebrae/SC. No mesmo ano, o projeto venceu o pitch final da turma de Videira e recebeu fomento de R$ 20 mil. Segundo Ângela Zatta, escritora e sócia da startup, o recurso foi fundamental para transformar a ideia em negócio. “Além das orientações para organizar o projeto e estruturar a startup, precisávamos de mais capital para iniciar as atividades. O Nascer nos proporcionou esse aprendizado e o recurso que permitiu desenvolver o software do Flash Reader do zero”, afirma.

Para a diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapesc, Valeska Tratsk, iniciativas como essa demonstram a importância dos investimentos em inovação no estado. “Quando a criatividade encontra apoio para se desenvolver, surgem projetos relevantes e inovadores em diversas regiões. O Flash Reader mostra como estimular o empreendedorismo pode gerar soluções criativas e de impacto para a sociedade”, destaca.

Após a participação no programa, o projeto — idealizado por Ângela em conjunto com seus pais e com o marido, o doutor em Geografia Diego da Luz Rocha — iniciou a fase de desenvolvimento do produto, que envolveu desde a criação do software até a definição do modelo do totem e a curadoria dos conteúdos. O primeiro equipamento foi instalado no Centro de Inovação de Videira, em 2024.

Atualmente, a startup atende instituições de ensino superior, espaços maker, hotéis, museus e bibliotecas em cidades catarinenses como Videira, Caçador, Fraiburgo e Rio das Antas. Em fevereiro de 2026, o projeto chegou também a Chapecó, com a instalação de um totem na Biblioteca Pública Municipal Neiva Maria Andreatta Costella.

Responsável pela curadoria dos conteúdos, Ângela explica que o material é pensado para públicos de diferentes idades, com foco na inclusão a partir dos três anos. Além da programação padrão, a empresa também personaliza os conteúdos conforme a necessidade dos clientes e do município onde o equipamento está instalado. “Oferecemos conteúdos técnico-científicos, literários, informações turísticas, obras de autores regionais, tirinhas e até atividades para colorir. Também desenvolvemos layouts específicos para cada cliente e atualizamos o material conforme a demanda”, explica.

Desde 2025, a startup também mantém presença em São Paulo, em parceria com o estúdio da Turma da Mônica. Em 2024, três totens foram instalados na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, registrando cerca de 22 mil impressões únicas. O resultado levou à ampliação da parceria, com a instalação permanente de um equipamento na área temática da Turma da Mônica, onde visitantes podem imprimir tirinhas dos personagens.

O projeto segue em constante aprimoramento. Diego Rocha, responsável pela área comercial, explica que os clientes podem adquirir ou alugar os totens e que a maioria das parcerias ocorre com instituições públicas. Segundo ele, o retorno dos usuários tem sido essencial para aperfeiçoar o produto.

“No início utilizávamos um modelo maior e reto, mas percebemos a necessidade de ampliar a acessibilidade. O novo modelo já segue as normas da ABNT e permite o uso por cadeirantes e por crianças a partir dos três anos. Também incluímos conteúdos acessíveis em libras e áudio, que podem ser acessados por QR Code por pessoas com deficiência visual ou auditiva”, explica.

Os clientes também podem acompanhar em tempo real o número de impressões realizadas, gerando dados importantes para avaliar o impacto da iniciativa. A proposta da Flash Reader surge em um momento em que pesquisas indicam queda no hábito da leitura no país. A edição mais recente da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024, apontou pela primeira vez que o número de não leitores superou o de leitores.

Para Ângela, a proposta dos textos curtos pode ajudar a formar novos leitores. “As pesquisas mostram que muitas pessoas não leem textos com mais de 10 páginas. Nosso objetivo é justamente despertar o interesse pela leitura com conteúdos curtos e acessíveis, que possam ser levados para qualquer lugar”, afirma.

Como forma de compensação ambiental pelo uso do papel nas impressões, a startup também realiza a doação de mudas de árvores frutíferas para escolas públicas do Oeste catarinense.

Fonte: Ascom/Fapesc

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