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Cientistas querem clonar araucária gigante que caiu em Caçador

Publicado em 16/05/2026 ás11:34

Katia Pichelli/EmbrapaFlorestas

Foto: Katia Pichelli/EmbrapaFlorestas

A queda de uma das maiores araucárias do Brasil mobilizou uma equipe da Embrapa Florestas para a coleta de material genético e uma tentativa inédita de clonagem da árvore no município de Caçador. O exemplar gigante estava localizado na Estação Experimental da Embrapa, área que também abriga a Estação Experimental da Epagri.

Apelidada carinhosamente de “Pinheirão”, a árvore era considerada a quarta maior araucária (Araucaria angustifolia) do país, medindo 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito (DAP), segundo levantamentos coordenados pelo professor Marcelo Scipioni, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Embora não existam informações precisas sobre a data exata do tombamento, a estimativa é de que tenha ocorrido nas últimas semanas.

Assim que a queda foi constatada pela gerência da Epagri, a Embrapa foi acionada para avaliar a existência de brotações viáveis para o resgate do DNA. De acordo com o pesquisador Ivar Wendling, o ideal é que a coleta ocorra de cinco a dez dias após a queda, mas a equipe conseguiu encontrar brotações ainda viáveis na copa. O material foi levado para enxertia em laboratório e deve levar cerca de cem dias para ter o sucesso do procedimento confirmado.

O bolsista da equipe, Paulo César, explicou que esse tipo de material genético fica no alto da copa e, em virtude da altura monumental, o resgate só seria possível por meio de escalada — o que era inviável com a árvore em pé — ou, infelizmente, após o seu tombamento. O projeto busca preservar características genéticas raras de altura e longevidade, utilizando como referência técnica uma operação semelhante realizada pela Embrapa após a queda de uma grande araucária em Cruz Machado, no Paraná.

A determinação da idade exata do Pinheirão sempre foi um desafio, pois o tronco oco impedia a aplicação da dendrocronologia, método que conta os anéis de crescimento no interior do lenho. Em árvores íntegras, essa leitura é feita na altura do peito com um equipamento chamado trado, mas, devido à fragilidade do tronco, os pesquisadores optaram por nunca perfurar o Pinheirão enquanto estava de pé.

Agora, com a orientação do técnico Arnaldo Soares, a equipe coletará discos de uma parte íntegra do tronco, a cerca de cinco metros de altura. A contagem direta desses anéis indicará apenas uma idade mínima, já que os anos iniciais de crescimento ficam registrados abaixo dessa altura. A pesquisadora Maria Augusta Doetzer Rosot relembrou que, desde 2003, o Pinheirão serviu de inspiração para trabalhos do Laboratório de Monitoramento da Embrapa e da UFPR, atraindo comitivas de instituições internacionais como a FAO, a Universidade Politécnica de Madri e a Rede Internacional de Bosques Modelo, do Canadá.

Os últimos registros oficiais do Pinheirão em pé foram feitos em novembro de 2025 pelo fotógrafo Zé Paiva e pelo cinegrafista Gustavo Fonseca para o projeto "Reinvenção da Natureza", do SESC. Inspirado no mapeamento de árvores gigantes do professor Scipioni, o projeto visitou doze exemplares monumentais no Sul do Brasil e está finalizando uma exposição artística multimídia sobre a Floresta Ombrófila Mista, que deve estrear neste primeiro semestre na galeria do SESC Concórdia e, no segundo semestre, no SESC Itajaí (vídeo abaixo).

Cientificamente, a queda do gigante acende um alerta ecológico. Um estudo recente de Scipioni apontou que o aumento de chuvas extremas no Sul do Brasil, induzido pelo fenômeno El Niño, é o principal fator para o tombamento dessas árvores centenárias. Segundo o especialista, a saturação extrema do solo argiloso faz com que o terreno perca a resistência, comprometendo a ancoragem das raízes e tornando o peso elevado e as copas largas dessas árvores monumentais altamente vulneráveis.

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