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Previsão do Tempo 26/08/2026 | 02:36
Publicado em 27/05/2026 ás15:00
O mês de maio de 2026 terminará em grande estilo para os entusiastas da astronomia. No dia 31, os observadores do céu poderão acompanhar a chamada Lua Azul — nome dado à segunda Lua Cheia registrada dentro de um mesmo mês. O fenômeno será ainda mais especial porque coincidirá com uma microlua e com a aproximação aparente da brilhante estrela Antares.
O astrônomo Dr. Gabriel Hickel, professor da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e parceiro do Observatório Nacional (ON/MCTI) no programa "O Céu em Sua Casa", explica que a ocorrência de duas Luas Cheias em um único mês é puramente matemática.
"O intervalo entre duas Luas Cheias dura, em média, cerca de 29,5 dias, enquanto os meses do calendário têm entre 28 e 31 dias. Assim, quando uma Lua Cheia ocorre no dia 1º ou 2 do mês, há a possibilidade de o ciclo se completar antes de o mês findar. Em média, temos uma Lua Azul a cada dois ou três anos", pontua Hickel.
Além de ser a segunda cheia do mês, a Lua de 31 de maio estará no ponto de sua órbita mais distante da Terra, conhecido como apogeu. Quando a fase cheia coincide com esse distanciamento máximo, o fenômeno é chamado de microlua (o oposto da famosa superlua, que ocorre no ponto de maior aproximação, o perigeu).
"No dia 31 de maio, teremos a Lua Cheia mais distante de 2026, a 406.135 km da Terra. Será a menor e menos brilhante do ano", destaca o astrônomo. No entanto, ele ressalta que a diferença visual é sutil a olho nu. "O cérebro humano funciona à base de comparação instantânea. Sem ver simultaneamente uma superlua e uma microlua, não há como notar. Visualmente, o satélite parecerá 12% menor e 25% menos brilhante do que uma superlua, mas, na prática, as pessoas observarão uma Lua Cheia normal."
Para completar o espetáculo, a Lua surgirá colada a Antares, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião. O brilho avermelhado característico da estrela promete um belo contraste com o prateado lunar.
A janela ideal para observação começa já no nascer da Lua no dia 30 de maio. Toda Lua Cheia surge no horizonte leste assim que o Sol se põe a oeste, cruzando o céu durante toda a noite. O ápice da aproximação entre a Lua e Antares ocorrerá no final da madrugada, próximo ao pôr da Lua.
Dica para fotos: Nos momentos do nascer e do poente, ocorre o efeito da "ilusão lunar", que faz o satélite parecer maior do que realmente é devido à comparação com elementos da paisagem (como prédios e árvores). Hickel recomenda buscar locais com horizonte aberto. Se for registrar o momento com o celular, a orientação é ajustar a exposição da câmera manualmente para evitar que o brilho excessivo da Lua apague os detalhes da imagem.
Ao contrário do que o termo sugere, a Lua não ficará azulada no dia 31. O nome é uma herança cultural importada dos Estados Unidos e baseada em um erro histórico de interpretação.
O termo surgiu originalmente em obras literárias britânicas do século XIX para descrever o fenômeno raríssimo de a Lua parecer azul devido a partículas de erupções vulcânicas na alta atmosfera. Mais tarde, fazendeiros americanos passaram a chamar a 13ª Lua Cheia de um ano de "Lua Azul". Contudo, em 1946, a renomada revista de astronomia Sky and Telescope interpretou o significado de forma errada, associando o nome à segunda Lua Cheia de um mesmo mês. O conceito se popularizou nos anos 1980 e se espalhou pelo mundo.
Mudança real de cor: A Lua só adquire uma tonalidade azulada de verdade em situações atmosféricas extremas, como após grandes incêndios florestais ou erupções vulcânicas históricas (como a do vulcão Krakatoa em 1883), que lançam na atmosfera partículas espessas capazes de filtrar a luz vermelha e deixar passar apenas os tons azuis e esverdeados.
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