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Previsão do Tempo 18/07/2026 | 01:28

Agricultura

Suinocultura em SC enfrenta crise e prejuízos de R$ 150 por animal

Publicado em 29/05/2026 ás13:07

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Foto: iStock

A combinação entre o excesso de oferta de carne no mercado e a estagnação do poder de compra do consumidor interno resultou em uma retração de 17,2% no preço base do suíno no início deste ano. O balanço foi apresentado pelo presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi. Segundo o dirigente, a crise afeta tanto o sistema de integração e cooperativismo quanto a suinocultura independente no estado, gerando perdas que chegam a R$ 150 por animal enviado ao frigorífico.

A análise da ACCS mostra uma desvalorização acentuada na remuneração do produtor. No início do ano, o preço base pago pelas indústrias era de R$ 6,80 por quilo. Atualmente, o valor recuou para R$ 5,80. A situação é ainda mais crítica para o produtor independente — aquele que arca com todos os custos de produção sem o subsídio direto de uma agroindústria. O custo médio de produção em Santa Catarina está fixado em R$ 6,35 por quilo, mas a comercialização média no mercado independente despencou para R$ 5,00.

"Nós regredimos seis anos no preço do suíno. Em outubro de 2020, a comercialização era de R$ 5,01. Com todos os custos que se elevaram, é uma crise insuportável para o setor", afirmou Losivanio.

Superinvestimento e fatores que inflam o mercado

A atual crise de preços é, em grande parte, um reflexo do próprio crescimento do setor. Após dois anos de alta rentabilidade, houve um superinvestimento nas propriedades rurais que desequilibrou a lei de oferta e procura. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o plantel brasileiro registrou um acréscimo de 105 mil fêmeas reprodutoras (matrizes) entre 2024 e 2025. Esse volume, multiplicado por uma média de 30 leitões desmamados por fêmea ao ano, resultou em uma injeção massiva de carne no mercado.

Outros fatores que contribuíram para o excesso de produto incluem:

  • Aumento de produtividade: Dados da empresa de gerenciamento Agriness apontam um crescimento de 0,68 leitão desmamado por fêmea ao ano no Brasil.

  • Peso de abate elevado: Os animais estão sendo enviados aos frigoríficos mais pesados.

  • Descarte de matrizes: Devido à crise, produtores começaram a abater fêmeas reprodutoras para reduzir custos. Cada matriz abatida equivale ao volume de carne de praticamente dois suínos comuns.

Exportações recordes com margens corroídas pelo câmbio

Apesar do mercado interno travado, o Brasil bateu recorde de exportações no primeiro trimestre. O país embarcou 55 mil toneladas a mais de carne suína em relação ao mesmo período do ano passado, um aumento de 14%. No entanto, a oscilação cambial corroeu as margens de lucro.

No ano passado, a tonelada exportada valia em média US$ 2.490. Com o dólar a R$ 5,77, a receita era de R$ 14.392 por tonelada. Este ano, embora o preço em dólar tenha subido para US$ 2.510, a taxa de câmbio média de R$ 5,15 derrubou a receita para R$ 12.940 por tonelada.

"A gente perdeu R$ 1.452 por tonelada. Com o dólar a R$ 5,15, que é considerado o custo de produção das empresas na exportação, a margem de lucro desaparece", detalhou o presidente da ACCS.

Insegurança econômica e críticas à escala 6x1

Além das dificuldades inerentes ao mercado de carnes, o presidente da ACCS teceu duras críticas ao cenário político e econômico nacional, apontando a carga tributária e a insegurança jurídica como entraves graves. Losivanio demonstrou forte preocupação com as propostas de alteração na jornada de trabalho, especificamente a transição da escala 6x1 para 5x2. Segundo ele, a medida é "eleitoreira" e inviável para o agronegócio, que exige turnos de 24 horas para o manejo de animais vivos, como suínos, aves e bovinos leiteiros.

O dirigente alertou que a redução da jornada obrigará a contratação de mais funcionários para cobrir os turnos, elevando os custos de produção que, inevitavelmente, serão repassados ao consumidor final. "Não existe almoço grátis. O trabalhador que hoje aplaude vai ver o poder de compra que perdeu no supermercado", declarou.

Por fim, o representante do setor ressaltou o movimento de evasão de empresas e mão de obra brasileira para o Paraguai, motivado pela busca de melhores condições tributárias e segurança física e jurídica. "O Brasil está se afundando porque a maioria dos nossos políticos só faz medidas populistas pensadas em reeleição", concluiu.

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