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Previsão do Tempo 13/06/2026 | 18:57

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Filha de Lindomar Castilho emociona público no TJSC ao falar do feminicídio de sua mãe

Publicado em 13/06/2026 ás12:06

Mauricio Vieira/ DCOM TJSC

Foto: Mauricio Vieira/ DCOM TJSC

O III Seminário do Programa Indira, realizado nesta sexta-feira (12), na sede do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), em Florianópolis, trouxe reflexões profundas sobre a violência contra a mulher. O evento, que faz alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha, contou com especialistas renomados para debater desde o impacto traumático do feminicídio até os desafios da era digital.

"Filha da coragem"

O momento de maior emoção foi a palestra da psicóloga e coreógrafa Lili de Grammont. Filha da cantora Eliane de Grammont — assassinada em 1981 pelo então marido, o cantor Lindomar Castilho — Lili compartilhou sua trajetória de superação. “Eu costumava dizer que sou filha do feminicídio, mas hoje digo que sou filha da coragem, do foco e da esperança”, declarou.

A palestrante defendeu que o combate ao feminicídio exige olhar para as "placas tectônicas" que antecedem a tragédia: o machismo, a misoginia e a naturalização de comportamentos violentos. Ela também chamou atenção para a realidade dos órfãos do feminicídio — cerca de dois mil por ano no Brasil — e defendeu a necessidade de incluir homens no debate sobre relações saudáveis. “Todo o meu luto virou dança”, concluiu Lili, após ser aplaudida de pé.

Violência Digital e o "Efeito Ventania"

A juíza Eunice Maria Batista Prado, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, abordou a complexidade da violência virtual. Para ela, o dano digital é como "um travesseiro de plumas aberto em uma ventania": uma vez que o conteúdo é espalhado, é quase impossível contê-lo totalmente.

A magistrada utilizou o caso da jornalista Rose Leonel para ilustrar como a exposição íntima não consentida causa danos permanentes. "Leis não faltam. O problema é que as leis não bastam", afirmou, defendendo a formação especializada de profissionais do Direito e a rapidez na preservação de provas digitais como medidas fundamentais de proteção.

A barreira da vergonha

Encerrando o ciclo da manhã, a professora Amanda Ferreira da Silva, da Unicesusc, discutiu por que a vergonha ainda é um dos maiores obstáculos para a denúncia. Segundo a pesquisadora, expectativas sociais que culpam a mulher pelo sucesso das relações familiares reforçam esse sentimento desde a infância. “A vergonha atua como uma barreira que impede que a vítima rompa o silêncio. Por isso, fortalecer espaços de acolhimento e escuta qualificada é urgente”, pontuou.

Continuidade do evento

A programação do seminário seguiu durante a tarde com painéis sobre a população LGBTQIA+ e a Lei Maria da Penha. O encerramento do evento contará com a palestra da professora Dabney P. Evans, da Emory University (EUA), que apresentará estudos sobre a avaliação de risco de feminicídio com foco no autor da violência, tema central para o aprimoramento das políticas de segurança no país.

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