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Previsão do Tempo 03/09/2026 | 15:29
Publicado em 03/09/2026 ás13:37
O oceano Pacífico registra atualmente 1,8 °C de anomalia térmica e caminha para confirmar, segundo a agência norte-americana NOAA, um El Niño muito forte — classificado popularmente como "Super El Niño". Embora a alta intensidade não seja sinônimo automático de desastres extremos, a Defesa Civil de Santa Catarina mantém monitoramento contínuo da evolução do fenômeno e dos possíveis reflexos no clima catarinense.
De acordo com o gerente de monitoramento e alerta do órgão estadual, Frederico de Moraes Rudorff, a severidade de um evento climático depende da sinergia com outros fatores atmosféricos. Ele lembra que as enchentes históricas que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 ocorreram sob influência de um El Niño moderado, com impactos superiores aos registrados em 2015, quando o fenômeno atingiu uma das maiores intensidades já medidas. Eventos severos também já foram observados sob a influência do fenômeno oposto, o La Niña, como os desastres de 2008, as cheias no Alto Vale em 2011 e o ciclone-bomba de 2020.

O que esperar do fenômeno e os cuidados necessários
Em entrevista, o especialista detalha a dinâmica atual dos oceanos, os impactos esperados para o estado e as principais recomendações de segurança para a população.
O que caracteriza na prática um El Niño forte e o que muda em relação a um El Niño fraco ou moderado? O El Niño forte é caracterizado a partir de 1,5 °C até 1,9 °C de anomalia de temperatura na região Niño 3.4. Acima de 2,0 °C, ele passa a ser classificado como muito forte. Atualmente, registramos temperaturas em torno de 1,8 °C, entrando na categoria forte, com forte probabilidade de alcançar o patamar de Super El Niño nas próximas semanas.
Isso significa que há mais possibilidade de eventos adversos? Não necessariamente. A intensidade do El Niño não resulta de forma automática em um grande evento excepcional. Em 1997 e 1998, por exemplo, esperava-se um Super El Niño com grandes enchentes em Santa Catarina, mas tivemos chuvas dentro da média. Por outro lado, 2023 teve um El Niño moderado e provocou uma das maiores inundações recentes em Rio do Sul. Um El Niño muito forte tende a aumentar a frequência de chuvas, mas a ocorrência de grandes eventos depende da combinação com outros fatores, como a Oscilação de Madden-Julian. Monitoramos 24 horas por dia, mas não há garantia de um evento excepcional; trabalhamos com foco na preparação.
Quais são as principais diferenças entre El Niños passados e o deste ano? Tanto em 2015 quanto em 2023 e 2024, a temperatura geral dos oceanos estava menos aquecida do que agora. No entanto, o que gerou os eventos extremos anteriores foi a sinergia de múltiplos fatores atuando em conjunto, como a fase da Oscilação de Madden-Julian, a interação com o jato subtropical e o fluxo de umidade fortemente canalizado para Santa Catarina. Hoje, com os oceanos mais aquecidos de forma geral, temos mais umidade disponível, o que atua como um verdadeiro combustível para tempestades. Por isso a NOAA passou a adotar o Índice Relativo de Niño Oceânico (Roni), que aplica um desconto proporcional para permitir comparações justas entre eventos de épocas diferentes.
Historicamente, os efeitos do El Niño são mais sentidos na primavera e no outono. Por que o verão geralmente não é tão influenciado? Durante as estações de transição — primavera e outono —, ocorre uma intensificação do transporte de umidade que canaliza diretamente da Amazônia para Santa Catarina. No verão, esse fluxo tende a se deslocar mais em direção ao Sudeste do Brasil, "roubando" a umidade que iria para o nosso estado. Por isso, apontamos a primavera de 2026 e o outono de 2027 como as duas janelas mais críticas de monitoramento.
O El Niño pode aumentar a frequência de tornados e ciclones em SC? Como a disponibilidade de umidade e as instabilidades atmosféricas são ampliadas, tendemos a ter mais eventos severos, como microexplosões e tempestades localizadas. Contudo, isso não significa necessariamente que serão os episódios mais intensos; vale lembrar que o tornado de categoria F4 registrado no Paraná no ano passado ocorreu sob a influência de um La Niña.
Recomendações de segurança para a população
Conheça sua região: Saiba se sua residência fica em área de inundação ou próxima a encostas e identifique o abrigo mais seguro.
Cadastre-se nos alertas: Envie um SMS com o seu CEP para o número 40199 para receber avisos oficiais da Defesa Civil.
Evite áreas de risco: Jamais transite a pé ou de carro por ruas alagadas ou pontes submersas; a maioria das vítimas é arrastada pela correnteza.
Atenção a deslizamentos: Ao notar rachaduras em paredes, inclinação de postes ou água barrenta minando em barrancos, saia imediatamente do imóvel.
Canais de emergência: Em caso de risco iminente, acione a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
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