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Publicado em 25/02/2015 ás09:00
A desocupação na tarde desta terça-feira, dia 24, do km 504,4 da BR-282, em Xanxerê, marcou o momento mais tenso dos protestos dos caminhoneiros desde que a mobilização começou. Cerca de 50 agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram mobilizados na ação inicialmente pacífica, mas que terminou em correria e com a tropa de choque da PRF avançando contra os manifestantes.
O desbloqueio começou às 16h45, quando a polícia chegou ao local e comunicou que os motoristas não poderiam mais ficar na rodovia federal. Após breve resistência, os caminhoneiros começaram a deixar a BR-282. Eles tentaram ir para a rodovia estadual vizinha, a SC-480, mas foram inicialmente impedidos pela PRF, o que gerou revolta. As vias estaduais são responsabilidade da Polícia Militar Rodoviária, mas o inspetor-chefe da Comunicação da PRF em Santa Catarina, Luiz Graziano, diz que, como os manifestantes estavam saindo de uma estrada federal e tinham a intenção de bloquear o tráfego na outra via, a ação tem embasamento legal.
Alguns veículos conseguiram entrar na SC-480 e foi aí que a tensão atingiu o nível máximo. O advogado Avelino Bertolon, que representa algumas empresas e associações de Chapecó e tinha participado do protesto pela manhã, retornou ao local e convenceu os motoristas a prosseguirem com a manifestação. Eles já estavam na SC-480 e decidiram ir até as margens da rodovia estadual, bem próximo da via federal. Ali, deitaram no chão, depois sentaram no asfalto e cantaram o Hino Nacional.
Depois o advogado Bertolon foi chamado pelos agentes da PRF e questionado se seria um dos representantes do movimento. Aclamado líder na hora, de improviso, foi convocado para negociar com os agentes, mas acabou preso. Houve então pedradas contra as viaturas e pelo menos mais duas pessoas foram presas. A tropa de choque da PRF entrou em ação e avançou contra o protesto com bombas de gás e efeito moral, dispersando boa parte do movimento.
Choro e revolta
Um dos momentos emblemáticos foi quando um caminhoneiro, de aproximadamente 60 anos, subiu no próprio veículo e, aos prantos, gritou estar falido e não aguentar mais as condições e os custos para trabalhar. Ele entrou no caminhão e seguiu viagem, arrancando lágrimas e aplausos de dezenas de pessoas presentes na manifestação.
Medidas
Além dos problemas no trânsito, a mobilização também afeta outros setores que dependem essencialmente do transporte rodoviário. “Vamos fazer essa operação em todo o Estado para garantir a realização do movimento, mas também o direito dos caminhoneiros que queiram seguir viagem”, afirmou o superintendente da PRF em Santa Catarina, inspetor Silvinei Vasques, sem precisar horários e locais das ações nos próximos dias.
Na tentativa de resolver o impasse, o governo federal instala nesta quarta-feira uma mesa de negociações e diálogos com representantes dos caminhoneiros e das transportadoras. O objetivo é tentar solucionar os problemas decorrentes das manifestações. A redução do preço do óleo diesel, no entanto, não está em pauta, conforme informou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto.
Embora entenda que a pauta dos caminhoneiros é essencialmente federal, o governador Raimundo Colombo (PSD) tem se mantido em contato com Rossetto. O governo estadual também tem mantido contato com a PRF, que chegou a solicitar o apoio do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar para a desobstrução de rodovias.
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